Bitcoin em crise: o impacto de uma recessão global na BTC

The State of Bitcoin amid a Struggling Economy

Embora alguns analistas permaneçam otimistas com o desenvolvimento da atual crise, vários sinais indicam uma próxima recessão global.

A questão agora é: quais são os eventos mais alarmantes que poderiam indicar uma crise financeira mundial no futuro próximo? Além disso, como uma possível recessão poderia afetar o Bitcoin?

Sinais de uma recessão iminente

O surgimento da COVID-19 no início do ano 2020 causou grandes estragos na economia mundial.

A pandemia e os confinamentos impostos pelos governos para conter a propagação do vírus ocasionaram uma mudança significativa no comportamento dos consumidores em relação a serviços e métodos de pagamento digitais. Houve também um aumento repentino na demanda de força de trabalho via home office.

Devido a limitações na liberdade de movimento, problemas de produção e picos de demanda, as cadeias de suprimentos foram prejudicadas; e vários setores da economia global, como viagens, aviação e turismo, sofreram um grande impacto na receita.

Os impactos gerais da COVID-19 na economia provocaram um colapso rápido (flash crash) em março de 2020. No entanto, embora tenham causado uma queda de curto prazo significativa para o mercado em geral, o desempenho de certos ativos como o ouro e as cripto, o aumento da flexibilização quantitativa (QE) dos bancos centrais e o levantamento gradual das restrições da pandemia têm facilitado uma rápida recuperação.

A QE e o estímulo dos governos ajudaram a economia a se restabelecer; porém, a impressão massiva de dinheiro elevou a inflação a níveis recordes. Em abril de 2022, a Área do Euro atingiu um recorde histórico em termos de inflação de 7.4% ao ano, enquanto os EUA experimentaram sua taxa mais alta em 40 anos, 8.5% em março de 2022.

Além da pandemia, o conflito militar em curso entre a Rússia e a Ucrânia, bem como as sanções das nações ocidentais contra o Kremlin, só adicionaram combustível ao fogo. Ao mesmo tempo em que incrementou a pressão inflacionária sobre a economia mundial, a guerra perturbou o mercado de energia, e aumentou os riscos de novas crises, como a escassez global de alimentos.

Como resultado do anterior, o sentimento do consumidor caiu para novos mínimos desde a queda da bolsa em novembro de 2011. O índice Standard and Poor’s 500, S&P 500 (-13.31%); o índice bursátil NASDAQ 100 (-23.15%); e o Dow Jones Industrial Average, DJIA, (-9.22%) têm sofrido grandes perdas desde janeiro de 2022.

Ao mesmo tempo, o Bitcoin já perdeu mais de 31% do seu valor este ano, enquanto a indústria das criptomoedas (que tem sido fortemente afetada pela perda da paridade da stablecoin de Terra, UST, com o dólar) viu seu valor de mercado cair 45%, de USD 2.2 trilhões para USD 1.2 trilhão no final de maio de 2022.

Considerando tudo, as chances de uma recessão iminente atingir a economia global parecem grandes demais para serem ignoradas. Esta é uma ameaça real, pois os bancos centrais não têm mais acesso a ferramentas monetárias como a QE, dado que a inflação das moedas fiat está ficando fora de controle.

Por conta disso, aumentar as taxas de juros é uma tendência global entre os bancos centrais, inclusive nos Estados Unidos e na União Europeia, para manter a inflação sob controle. Como isso vem com um aumento significativo no custo do crédito, espera-se que os gastos dos consumidores e das empresas diminuam, reduzindo a demanda geral por produtos e serviços.

Mas poderão os estados manter a inflação controlada durante a recessão?

Como o Bitcoin se comportará durante a crise financeira?

No que concerne ao Bitcoin, a inflação do dinheiro fiat se mostra vantajosa. Ao contrário do Fed (Sistema da Reserva Federal dos Estados Unidos), do BCE (Banco Central Europeu) ou de outros bancos centrais no mundo todo, é impossível cunhar mais BTC do que sua oferta máxima de 21 milhões de moedas, pois isso encontra-se codificado no protocolo.

Além disso, embora o Bitcoin ainda sofrerá alguma inflação até atingir seu limite máximo de oferta em 2140, o halving serve como um mecanismo deflacionário que reduz a entrada de novas moedas em 50%, aproximadamente a cada quatro anos.

Além dessas duas qualidades cruciais, a rede do Bitcoin é totalmente descentralizada, e historicamente tem apresentado a mais extensa resiliência entre todas as criptomoedas.

Por essas razões, o BTC tem sido utilizado como uma reserva de valor e cobertura contra a inflação. Ele pode ser altamente volátil durante períodos de tempo curtos, mas está preparado para manter seu poder de compra no longo prazo. E historicamente, a política monetária inflacionária tem impactado a criptomoeda de maneira positiva.

No entanto, suponha que os bancos centrais decidam aumentar as taxas de juros para reduzir a inflação. Nesse caso, uma parte da comunidade cripto espera que o preço do Bitcoin caia em um futuro próximo, devido à diminuição significativa no estímulo econômico e nos gastos do consumidor, especialmente se esse movimento desencadear uma recessão global.

Mesmo assim, o Bitcoin possui qualidades muito semelhantes às do ouro, um metal precioso e escasso que historicamente experimentou tendências de alta de preços em tempos de crise.

Além disso, o bloqueio do ocidente à Rússia, de ao redor de USD 300 bilhões de fundos em reservas estrangeiras, pode levar a uma nova tendência, na qual cada vez mais os países alocariam bilhões em BTC, ao invés de ativos de dívida (debt assets) nos EUA e na União Europeia.

De acordo com o cofundador da BitMEX, Arthur Hayes, isso criará ainda mais inflação nas economias ocidentais via yield curve control (YCC). Hayes acredita que o preço do Bitcoin alcançará USD 1 milhão e o valor da onça de ouro  entre USD 10 000 e USD 20 000.

A demanda pelo BTC aumentará com a inflação do dinheiro fiat

Com as grandes disrupções ocasionadas pela pandemia, o conflito entre a Rússia e a Ucrânia e as altas taxas de inflação, muitos sinais apontam ao surgimento de uma recessão.

Embora seja difícil predizer com certeza o que acontecerá com o BTC durante uma crise econômica, altos níveis de inflação tendem a incrementar a demanda por ativos escassos como o Bitcoin e o ouro, pois os investidores procuram manter a estabilidade do seu poder aquisitivo.

Apesar da estratégia dos bancos centrais para aumentar as taxas de juros, as recentes sanções contra a Rússia podem causar uma mudança na forma como as nações com excedente de capital gastam seu dinheiro. Espera-se que isso, além do yield curve control (YCC), incremente a inflação que, por sua vez, aumentará a demanda pelo BTC e pelo ouro.

Ao mesmo tempo, com a decisão da República Centro-Africana em seguir os passos de El Salvador e tornar o Bitcoin moeda de curso legal em abril, o BTC também pode experimentar uma ação de preço positiva, devido ao aumento da adoção entre economias menores.

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