Como pode o Bitcoin empoderar as mulheres no Afeganistão e impulsionar a inclusão financeira?

Empowering women in Afghanistan through Bitcoin (BTC)n and other cryptocurrencies

À medida que as finanças digitais evoluem, muitos no setor de fintech esperam que tal evolução reformule a maneira como as pessoas percebem e utilizam as ferramentas financeiras tradicionais. Com o Bitcoin e outras criptomoedas, o mundo financeiro digital parece promissor, pois aponta para um mundo com mais inclusão, conveniência e liberdade financeira.

Em muitos mercados emergentes no mundo todo, a liberdade financeira não está garantida. Na Nigéria, por exemplo, as criptomoedas estão em ascensão porque a população em geral vê o Bitcoin (BTC) e as altcoins como meios viáveis ​​de troca que permitem que negociem, comprem e realizem transações em suas vidas cotidianas com facilidade. Além de não depender de um governo central corrupto, o Bitcoin é visto como ferramenta estratégica e inteligente para financiar causas humanitárias na Nigéria.

Em outras partes do mundo, o Bitcoin é a solução definitiva para alcançar não apenas a independência financeira, mas também para facilitar a bancarização dos desbancarizados. Esse é o caso do Afeganistão. O mais chocante nesse país é que os desbancarizados não equivalem apenas à população abaixo da linha da pobreza, mas a todo um gênero: mais de 90% das mulheres no Afeganistão não têm acesso a bancos.

Estudo de inclusão financeira no Afeganistão (Unescap Org, 2019).

O clima político no Afeganistão

Atualmente, o Movimento Islâmico Talibã é quem detém poder e autoridade sobre o Afeganistão. A nação sofre economicamente há muito tempo, mas os países ocidentais não têm se apressado em ajudar, pois vários terroristas reconhecidos internacionalmente formam parte do governo Talibã. Sob o regime, as oportunidades educacionais diminuíram drasticamente para as mulheres e as meninas.

De acordo com o Instituto da Paz dos Estados Unidos, há uma enorme crise humanitária em andamento no Afeganistão, com recursos essenciais se tornando mais escassos e ainda mais difíceis de acessar para mulheres e minorias. Com o domínio do Talibã sobre o país, os direitos das mulheres a recursos como educação e serviços financeiros básicos foram fortemente controlados. A educação vem sendo totalmente proibida para as mulheres desde 2001 sob tal regime.

Women in burqas entering the mosque
Mulheres de burca na Mesquita Azul em Mazar-e Sharif, Afeganistão, maio de 2004.

De acordo com uma reportagem do Time de 2021, as mulheres têm sido impedidas de pisar nos campi universitários e de ensino médio pelo regime Talibã, apesar das negociações do governo dos EUA na tentativa de mudar essa situação. Em um país onde o direito à educação não é garantido, podemos esperar que outros direitos básicos também estejam ausentes. Para as mulheres no Afeganistão, buscar o direito aos mesmos serviços financeiros que os homens detêm é considerado um absurdo.

Um clamor por liberdade financeira e igualdade de oportunidades

É assim que o Bitcoin entra em cena. De acordo com um estudo de 2021 da firma de análise cripto Chainalysis, a adoção de criptomoedas pela população de base está aumentando em todo o mundo, com transações pessoa-para-pessoa se tornando cada vez mais populares. Inclusive, a pesquisa mostra que o Afeganistão tem o sétimo maior volume de trocas pessoa-para-pessoa do mundo.

Estudo da Chainalysis sobre o índice global de adoção de criptomoedas em 2021.

No entanto, as mulheres ainda estão em desvantagem em comparação com os homens no que diz respeito ao acesso a serviços financeiros básicos. De acordo com o Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, o Afeganistão ocupa o 171º lugar entre 188 países no índice de desenvolvimento humano. Para piorar a situação das mulheres no Afeganistão, a desigualdade econômica é tão grave que segundo Fawzia Koofi, ex-deputada do Parlamento Afegão, “pelo menos uma ou duas mulheres se suicidam diariamente por falta de oportunidades, por problemas de saúde mental ou pela pressão que recebem constantemente”.

Bitcoin como solução para as mulheres afegãs

É por isso que o Bitcoin e outras criptomoedas foram recebidas de braços abertos em países em desenvolvimento, como o Afeganistão, mesmo que apenas consistam em uma pequena solução à grande crise humanitária que o Afeganistão vive. O Bitcoin pode proporcionar às mulheres independência financeira e inclusão, também pode ser usado ​​como ferramenta para que as mulheres mantenham o controle dos seus ganhos. Como o Bitcoin é digital e vive na blockchain, não pode ser facilmente confiscado pelos maridos nem pelo governo.

Para a empreendedora Roya Mahboob, que atraiu a atenção global por ser a primeira CEO de tecnologia mulher no Afeganistão, o Bitcoin foi a resposta definitiva para muitos problemas. Ela aproveitou a criptomoeda para pagar seus funcionários, que eram predominantemente do sexo feminino. Após lutar por sua própria educação, Mahboob construiu um império de tecnologia que se esforça para dar às mulheres oportunidades de carreira iguais às dos homens. Sua empresa, Citadel, era 85% feminina. “Para cada mulher na Citadel, este foi o seu primeiro emprego”, compartilhou Mahboob com a Bitcoin Magazine.

Mahboob ensinou seus funcionários a ser financeiramente independentes, instalar Bitcoin wallets em seus smartphones, receber fundos digitais e resguardar as suas economias.

Por que o Bitcoin é um fator crucial em uma economia em desenvolvimento como o Afeganistão

No Afeganistão, o Bitcoin é um elemento crucial, inclusive mais do que nos países desenvolvidos. Traders e investidores afegãos não estão comprando criptomoedas para expandir e diversificar seus portfólios. Em vez disso, sua principal preocupação é preservar os fundos que já possuem e mantê-los fora do controle do Talibã. Mesmo em grandes cidades como Herat, os afegãos estão preocupados com o fato das suas residências serem repentinamente invadidas e inspecionadas pelo grupo militante.

Além de preservar sua riqueza frente ao afegane (AFN), o Bitcoin serve como um meio para os afegãos protegerem seus fundos digitalmente. Por esse motivo, stablecoins como Tether (USDT) e USDC também estão em grande demanda.

As stablecoins, que geralmente são atreladas ao dólar americano ou a outras commodities, são criadas de forma que seu valor sofra significativamente menos volatilidade do que outras criptomoedas. Atualmente, a demanda por criptomoedas é alta no Afeganistão. Anteriormente, os afegãos garantiam sua riqueza por meio de jóias ou outras mercadorias que escondiam em suas casas. Mas com o boom cripto, muitos optaram por proteger sua riqueza usando criptomoedas, pois os ativos digitais permitem que os fundos sejam armazenados de forma segura e conveniente na blockchain. O armazenamento digital permite que muitos preservem suas riquezas e as escondam de forma que o regime Talibã não possa assumir o controle com tanta facilidade.

Comprando criptomoedas no Afeganistão

Para tornar as coisas mais complicadas, obter criptomoedas no Afeganistão não é tarefa fácil. A compra de criptomoedas mediante uma conta bancária afegã para uma exchange cripto como a AAX é uma tarefa quase impossível. A transação é, portanto, idealmente conduzida com a ajuda de um intermediário que possa usar o sistema tradicional Hawala no Afeganistão.

O Hawala é um sistema antiquado de transferência de fundos do Afeganistão. Segundo a agência de notícias global Fortune, cerca de 90% das transações financeiras no Afeganistão são realizadas através do sistema Hawala. O dinheiro pode ser enviado para contatos em outros países, como Irã, Turquia e EUA. Por sua vez, esses contatos transferem criptomoedas como Bitcoin e USDT para as cripto wallets dos afegãos.

Educação financeira como ferramenta para as mulheres no Afeganistão

Embora o Bitcoin e as stablecoins possam ser uma solução viável para mulheres e homens que padecem sob o controle do governo Talibã, o trabalho está apenas começando. Roya Mahboob explicou em sua entrevista com Alex Gladstein: “Eu posso ver que nossa luta está apenas começando. Os Talibãs precisam ser responsabilizados por seus atos”.

De acordo com a chefe Mahboob, a educação financeira e a educação convencional são elementos-chave, agora mais do que nunca. Elas são essenciais para programas como o Digital Citizen Fund, uma organização sem fins lucrativos que ajuda mulheres e meninas em países em desenvolvimento a obterem acesso a ferramentas profissionais básicas para seu desenvolvimento pessoal. O Bitcoin é uma parte essencial disso, com a alfabetização financeira vem a liberdade financeira.

Felizmente, no caso de mulheres e meninas afegãs, o Bitcoin poderá ser usado como uma arma-chave para se libertar das garras dos Talibãs.

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